Amarildo Santana , Pai e Empresário Do Cantor Luan Santana

05/01/2017

Eu ouço muito a opinião dele, mas quem tá no dia a dia da estrada, do escritório, é a gente. Então, tem toda uma conversa antes de qualquer decisão. Ele é o artista, pensa mais na comodidade dele, mas a gente tá aqui pra pensar no relacionamento e no profissional, se determinada atitude vai ser boa pra carreira dele ou não. Quando não é legal, a gente fala com a Arleyde e ela respeita. Claro que tem vezes em que eu e ele discordamos. Eu mesmo já errei em decisões, mas nosso intuito é sempre buscar o melhor pra carreira dele.

Sobre propostas comerciais como a da Coca-Cola e da Shell, que aconteceram em 2016, como funciona o processo?

Isso é comigo, essa parte eu nem consulto ele. Depois de fechado, eu chego nele, explico o porquê e quais são os benefícios que ele vai ter. Essa questão eu tenho que cuidar sozinho. Publicidade fica comigo. Pra te dar um exemplo, em 2011 o Luan era um artista teen, os fãs eram 90% adolescentes. Nessa época, a gente chegou a ter 30 produtos licenciados, a maioria voltada ao público adolescente e até infantil. Jogo de quebra-cabeça, bonequinho, produtos para um público bem específico. Ele foi crescendo, a idade aumentando, mas continuava com aquele monte de licenciamento adolescente. A gente sentou e concluiu que essa falta de estratégia poderia matar a carreira dele ali. Cortei todos os produtos e hoje temos apenas um licenciado, que é o perfume dele da Jequiti. Há outros trabalhos de publicidade, sim, mas licenciado mesmo só o Jequiti. Se você entrar na loja online dele, vai ver que a gente mudou a cara dela. Você precisa crescer artisticamente em todos os aspectos. Não é só a imagem ou a questão musical, mas tudo que cerca a carreira dele. São nesses momentos que eu te disse que preciso aparecer e tomar decisões importantes pra carreira dele.

Essa mudança de artista teen para adulto deu muito trabalho?

Foi preciso tomar algumas decisões, mas fizemos o que era preciso. Em algum momento as coisas precisariam mudar. Como eu disse, não é só música, é todo o contexto.

É verdade que o Dudu Borges (produtor) já tinha em mente “O nosso tempo é hoje” e o “Acústico” pra justamente reposicionar o Luan como um artista adulto?

Sim, é verdade. Ele já tinha na cabeça esse processo de crescimento musical. O Dudu e o Luan têm uma sinergia muito forte. Ele amadureceu o repertório do Luan.

O Luan e a Som Livre estão juntos há quase oito anos. Qual a interferência da gravadora nas decisões da carreira?

A Som Livre aceita muito nossas ideias, mas ela interfere pouco na carreira do Luan. Quando a gente vai virar uma faixa, nós comunicamos uma semana antes, até porque eles têm que trabalhar o digital. A gente tem um contrato, alguns acordos, mas na carreira eles não tem ingerência. Todas as viradas de faixa passam pela mão do Luan. Nós temos nossas opiniões, analisamos o mercado, mas no fim das contas é ele quem escolhe as músicas de trabalho.

Luan sempre esteve bem colocado nas rádios, mas a liderança pareceu, por muitas vezes, uma obsessão. Em 2016, no entanto, parece que vocês tiraram o pé. É só impressão?

A gente realmente tinha isso como objetivo. Não que deixou de ser importante, mas não somos mais obcecados por isso. Acho que a música é muito mais que uma negociação comercial.

Esse investimento para estar sempre em primeiro lugar não vale mais a pena?

Não, não vale mais. Como a imprensa acompanha uma lista específica da Crowley, a gente precisa estar lá também, mas nós temos hoje outros métodos pra acompanhar o desempenho nas rádios, como a Connectmix e o Spybat. Nós vamos buscar estar bem sempre, mas não a qualquer preço.

O rompimento

Uma das poucas vezes em que o Luan ficou na mídia por questões de bastidores foi quando vocês romperam com o Anderson Ricardo, ex-empresário. A situação saiu do controle e foi exposta na mídia…

Foi uma questão que não impactou a carreira, mas gerou muito barulho. A gente não queria isso, não havia motivo. Tudo tem começo, meio e fim, e nós não queríamos causar nenhum tipo de problema. Tanto é que o acordo que ele aceitou no fim de tudo foi o que a gente propôs na primeira conversa. Acabou tendo repercussão e tal, mas graças a Deus a gente resolveu sem precisar ir pra justiça, sem audiência, sem nada.

O que aconteceu pra vocês decidirem seguir sem ele?

Quando o Luan começou a cantar, eu falei pro Anderson: “meu filho vai deixar de fazer faculdade, vai abrir mão de um futuro, então a nossa prioridade vai ser sempre ele. Se for pra cantar cinco ou seis anos e parar depois, a gente já acaba com isso agora”. A coisa começou a andar errado quando o Anderson trouxe o escritório do Luan, que era em Londrina, pra São Paulo. Eu não concordei, pedi pra ele não fazer isso, mas ele veio a toque de caixa. Eu segui em Londrina com o departamento financeiro e pessoal. No início de 2013, nossa arrecadação teve uma queda, os custos estavam muito altos e eu fui discutir isso com ele. Nos reunimos e ele nem chegou a olhar as planilhas, veio com uma ideia de contratar outros artistas, investir em outros projetos. Acabou ali. Esperamos passar a gravação do DVD de Itu, em julho de 2013, para que o projeto não fosse prejudicado. Logo depois, falamos com o Sorocaba, que concordou. Falamos com a equipe, que disse que ficaria conosco, e comunicamos o Anderson como seria. Nós oferecemos R$5,5 milhões, no início da conversa, o que achávamos justo. Ele não aceitou, a discussão se estendeu por quase cinco meses, mas acabamos fechando pelo valor inicial.

Como ele se tornou empresário do Luan?

A primeira empresária do Luan foi a Elizandra, que era compositora da “Falando sério”, entre várias outras músicas. O Anderson era radialista e contratou um show do Luan pra cidade de Mineiros, em Goiás, que faz divisa com o Mato Grosso do Sul. Era dia de finados, 2007. Ele fez uma proposta pra cuidar da agenda e os dois passaram a trabalhar com o Luan. Não demorou muito e a Elizandra e o Anderson se desentenderam. Foi a primeira vez que eu tive que optar com quem ficar. A gente continuou com o Anderson. O Anderson trabalhou muito, pôs o Luan dentro do carro e andou o Mato Grosso do Sul inteiro. Eu tinha feito um pouco disso, esse pé na estrada, mas eu não tinha conhecimento, era só coisa de pai querendo ajudar.

E o Sorocaba?

O Luan conheceu o Sorocaba em um show em Brusque, Santa Catarina. O Sorocaba gostou do fato de ser um cantor solo e eles combinaram de se encontrar um tempo depois, em Campo Grande. Sentamos eu, Luan, Sorocaba e Paulo Pissoloto, ex-sócio do Sorocaba. Eles propuseram gravar um DVD e fazer um trabalho em cima dele, colocariam R$ 200 mil. Nós topamos. Foi o investimento real da carreira do Luan.Pra você ter noção da minha inocência, eu deixei a divisão chegar a 25% pra cada um, o cantor ganhando a mesma coisa que todos os empresários. Depois fui consertando isso com o tempo. Não passou muito tempo e o Anderson e o Pissoloto brigaram, coisa de um ano. Eu, que ficava de longe só acompanhando as planilhas, tive que interferir e tomar uma decisão mais uma vez. Os dois me disseram “ou eu ou ele”. Tive que pesar muita coisa e decidi que continuaríamos com o Anderson e sem o Pissoloto. Cheguei no Sorocaba e o avisei da nossa decisão. Pagamos R$2.750.000 ao Paulo. Em um ano, ele investiu R$ 100 mil e saiu com quase três milhões. Eu nunca quis briga. Parcelamos e pagamos o que era correto. Nosso contrato com o Sorocaba acaba em agosto de 2018, ainda não conversamos sobre renovação.

Você disse que o início de 2013 não foi muito positivo. Foi o pior momento da carreira até hoje?

Não, teve um outro que nos preocupou mais. Você precisa colocar novidade todo ano no mercado, hoje funciona assim. A gente demorou muito do DVD de Itu, “O nosso tempo é hoje” (2013) para o “Acústico” (2015). O DVD mais aproveitado nosso foi o “Acústico”, um ano e pouquinho de trabalho. A distância entre dois projetos foi nosso momento mais difícil. Difícil, quando eu te falo, é em relação a faturamento.

Após uma nota no blog da Fabíola Reipert, no R7, o Luan anunciou que não vai mais fazer programas da Record. A decisão foi sua?

Uns dois anos atrás, ela soltou uma nota com aquelas frases soltas, sugerindo algo entre o Luan e o Guto, amigo nosso que foi personal dele. Quando saiu a primeira notícia, o Sorocaba ligou pro Douglas Tavolaro (vice-presidente de jornalismo da Record), reclamou, e o Douglas ligou pra mim. Eu descasquei, falei tudo que eu queria, disse que ele precisava saber de onde eu vinha, precisava conhecer minha família. Ele me ouviu e prometeu uma solução. De fato, foram dois anos sem sair uma nota sobre o Luan. Agora, recentemente, saiu outra nota no mesmo tom. Eu podia meter no pau, tirar dinheiro, mas não é essa a questão. O Luan se irritou, veio falar comigo e perguntou o que a gente ia fazer em relação a isso. Eu disse que o único jeito era parar de ir na Record. Conversamos eu, Luan e a Arleyde pra ver de que maneira isso seria feito. Luan escreveu uma nota e passou pra Arleyde distribuir pra imprensa. O Tavolaro me ligou de novo, quis conversar, mas eu tava indo viajar. E tá assim até hoje. Enquanto não acontecer alguma coisa, enquanto não houver alguma retratação, algo que realmente chegue às pessoas, ele não volta pra Record.

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload